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Qualificação · 14 min de leitura

Seu soldador não solda aquele processo há mais de 6 meses? A qualificação pode já ter vencido, mesmo sem data no papel

A regra dos 6 meses da qualificação de soldador (ASME Seção IX e AWS D1.1) não é prazo de validade fixo: é limite de inatividade, com uma segunda porta de saída por motivo específico. Enquanto o soldador continua soldando aquele processo, sem motivo para questionar sua habilidade, a qualificação permanece válida por tempo indeterminado.

Henrique ReisPor Henrique Reis · Engenheiro de soldagem, 25 anos de experiência

Resumo: Sob o ASME Seção IX e a AWS D1.1, a qualificação de um soldador não vence numa data fixa contada da emissão do RQS: pela cláusula QW-322.1 (ASME) e pela 6.2.3.1 (AWS D1.1:2025), ela permanece válida enquanto não passarem mais de 6 meses desde a última vez que o soldador usou aquele processo, e cai antes disso se houver motivo específico para questionar sua habilidade (QW-322.2; AWS D1.1 6.2.3.1(2)). Para contratos sob padrão Petrobras, a N-133 Rev. Q soma uma terceira porta de saída, o Controle de Desempenho dos Soldadores (CDS, cláusula 4.4.1.8): a qualificação também cai por desempenho medido em ensaio, com critério numérico próprio. Para o comprador, o controle certo é o registro de que o soldador continuou soldando aquele processo com aprovação, não uma planilha de vencimentos.

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Qualificação de procedimento (EPS/RQPS) e de soldadores e operadores (RQS), conforme as principais normas e códigos, com o certificado de qualificação do soldador (CQS) válido enquanto o soldador continuar soldando pelo processo qualificado, sem ficar mais de 6 meses parado nele.

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Soldador em teste de qualificação da InspeSolda, executando solda com eletrodo revestido.

Um RQS parado na pasta do projeto não avisa quando deixou de valer. Nenhuma luz pisca, nenhum e-mail chega. O documento continua com a mesma assinatura, o mesmo carimbo, os mesmos números de faixa de espessura e posição que tinha no dia do teste.

É fácil, olhando só para o papel, presumir que ele ainda representa a habilidade real daquele soldadorProfissional qualificado a executar soldagem manual ou semi-automática conforme norma aplicável. hoje.

A pergunta que interessa ao comprador industrial não é "esse RQS está dentro do prazo de 6 meses contado da emissão?". É outra: "esse soldador ainda soldaUnião (coalescência) localizada de metais ou não-metais, produzida pelo aquecimento dos materiais à temperatura de soldagem, com ou sem... esse processo, ou parou?". A diferença entre as duas perguntas tem cláusula de norma por trás, com número.

O que o mercado repete sobre os "6 meses", e o que ele não explica

Praticamente todo material de mercado sobre qualificação de soldadorDemonstração de habilidade de um soldador em executar soldas, de acordo com as variáveis previamente estabelecidas. cita a validade de 6 meses. Uma fonte do setor de inspeção resume assim: "o certificado... normalmente, tem validade de seis meses. Em alguns casos, pode atingir 1 ano".

A própria página de serviço da InspeSolda resume da mesma forma: "a validade da qualificação do soldador é de 6 meses" (qualificacao-de-soldadores.md, FAQ).

A frase não está errada, mas está incompleta, e a parte que falta muda a rotina de controle do comprador. "Validade de 6 meses" sugere data fixa: testado em janeiro, vale até julho, depois disso exige novo teste. A ASME Seção IX e a AWS D1.1 escrevem outra coisa.

O próprio relatório de Deep Research rodado sobre este tema apresentou três posições concorrentes sobre a natureza dessa validade sem fechar qual está certa: validade rígida, validade extensível a um ano, e continuidade operacional, tratadas como três opiniões concorrentes. A resposta normativa, com cláusula, já existe.

O que a norma diz, com número de cláusula

Pelo ASME Seção IX, cláusula QW-322.1: "The qualification of a welder or welding operator for a process remains valid provided no more than 6 months have passed since the welder or welding operator last used that process."

Em português: a qualificação permanece válida desde que não tenham se passado mais de 6 meses desde a última vez que o soldador usou aquele processo.

A mesma cláusula não deixa a continuidade como registro informal: manda a organização qualificadora ou participante confirmá-la, conforme QG-106.2 e QG-106.3.

Repare no verbo: a norma usa "permanece válida". O que expira não é o documento por data: é a continuidade de uso, que reinicia toda vez que o soldador solda de novo aquele processo.

A AWS D1.1:2025 chega à mesma regra por outro caminho. A cláusula 6.2.3.1 estabelece que a qualificação do soldador permanece em vigor indefinidamente, a menos que o soldador fique mais de 6 meses sem atuar naquele processo, ou exista motivo específico para questionar sua habilidade.

A palavra "indefinidamente" está no texto da própria norma, conferida direto no acervo desta casa.

O próprio ASME Seção IX reforça a lógica na cláusula QW-300.1: a continuidade da qualificação do soldador começa a contar da data em que a solda do corpo de provaAmostra retirada de uma peça de teste para executar ensaios. foi concluída, desde que o ensaio exigido tenha sido realizado e os resultados aprovados.

E ela pode cair antes dos 6 meses: a cláusula QW-322.2 prevê revogação sempre que houver motivo específico para questionar a habilidade do soldador. A revogação atinge só a qualificação questionada, as demais permanecem em vigor.

Confirmação por uma terceira fonte: a página oficial do programa "Certified Welder" da própria AWS usa a mesma lógica: "certification can remain active indefinitely", desde que a manutenção de continuidade seja enviada a cada 6 meses. Três fontes, duas normas de projeto e um programa de certificação de pessoa, a mesma regra.

As três normas, lado a lado, no ponto da continuidade

O que rege a validadeMecanismoCláusula
ASME Seção IX (2025)Continuidade de uso do processoVálida enquanto não passarem mais de 6 meses sem o soldador usar aquele processo; revogável por motivo específicoQW-322.1, QW-322.2
AWS D1.1:2025Mesma lógica de continuidadeEm vigor "indefinidamente", a menos que o soldador fique mais de 6 meses sem praticar o processo, ou haja motivo para questionar sua habilidade6.2.3.1(1) e (2)
N-133 Rev. Q (Petrobras)Rastreabilidade formal, mais controle de desempenhoRRS e RQS documentam a qualificação; RSQ reúne todos os soldadores qualificados do contrato; CDS (4.4.1.8) desqualifica por reprovação medida em ensaio4.4.1.2, 4.4.1.3, 4.4.1.4, 4.4.1.8

Cada norma tem uma segunda porta de saída, além da inatividade. Pelo ASME Seção IX e pela AWS D1.1, a qualificação também cai quando há motivo específico para questionar a habilidade do soldador (QW-322.2; AWS D1.1 6.2.3.1(2)).

Para contratos sob padrão Petrobras, a N-133 Rev. Q soma uma terceira porta. A cláusula 4.4.1.8 exige Controle de Desempenho dos Soldadores (CDS) rastreável e auditável, com critério numérico de desqualificação por reprovação em ensaio.

Em radiografia, o limite é 10% de filmes reprovados num mínimo de 20 filmes, com desqualificação direta a partir de 4 filmes reprovados em campo ou 2 em oficina. Em ultrassom, o limite é 2,5% de comprimento defeituoso em no mínimo 3 m de solda inspecionada, com o mesmo tipo de gatilho direto: 150 mm de comprimento de reparo em campo ou 60 mm em oficina desqualificam de imediato, simétrico ao que já vale para radiografia.

A qualificação, nesse caso, cai pelo desempenho medido, apurado ao longo do contrato.

Nenhuma fonte de mercado levantada nesta pesquisa juntaA junção de peça(s) de trabalho antes e depois da união. essas três normas numa mesma comparação sobre o mecanismo de validade: é a lacuna que esta tabela preenche.

O que isso muda para quem contratou o soldador

Se a qualificação não vence numa data, o que o comprador industrial precisa controlar é uma planilha de uso: quando foi a última vez que aquele soldador, com aquele RQS, soldou de fato aquele processo em produção.

A N-133 Rev. Q já prevê o instrumento certo, mesmo sem tratar a mecânica de continuidade em si.

A cláusula 4.4.1.4 manda emitir uma Relação de Soldadores e de Operadores de SoldagemMétodo utilizado para unir materiais por meio de solda. Qualificados (RSQ), conforme a Petrobras N-2301: reúne, num só lugar, todos os soldadores qualificados de um contrato e o que cada um está autorizado a fazer.

A cláusula 4.4.1.3 manda que o soldador porte identificação com nome, CPF e número de sinete visível na máscara. Nenhuma das duas fala em "6 meses" diretamente, mas as duas dão ao comprador o instrumento de rastreabilidade que a lógica de continuidade da ASME IX e da AWS D1.1 exige: saber quem soldou o quê, e quando.

Na prática, um RQS de um ano atrás, de um soldador que continuou soldando aquele processo desde então, vale tanto quanto um RQS emitido semana passada.

Um RQS de um mês atrás, de um soldador remanejado para outra função sem tocar naquele processo desde o teste, já pode estar vencido, mesmo dentro do que o mercado chamaria de "prazo de 6 meses".

Um RQS isolado na pasta do projeto prova que o soldador estava qualificado na data do teste. A validade contínua depende de um registro de uso que o papel isolado não mostra.

Curso de solda não é qualificação, e qualificação não é certificação

Parte considerável do material disponível trata "fazer um curso", "ser qualificado" e "ser certificado" como sinônimos. Não são.

O glossário técnico da Multeng, uma das poucas fontes em português a fazer essa distinção, separa os três: curso é formação, qualificação é o documento técnico emitido conforme a norma de projeto aplicável, certificação existe apenas quando há, por trás, um organismo formal de certificação de pessoas.

Um certificado de conclusão de curso, por si só, não qualifica ninguém por nenhuma das normas citadas neste artigo.

A qualificação nasce de um teste prático, com corpo de prova soldado, examinado e ensaiado, coerente com o glossário da própria InspeSolda (N-1438, verbete 3.109): "qualificação de soldador: demonstração de habilidade de um soldador em executar soldas, de acordo com as variáveis previamente estabelecidas".

É a habilidade demonstrada em teste que qualifica.

Há uma segunda confusão, mais delicada para a própria InspeSolda: qualificar não é certificar. A InspeSolda qualifica soldadores, emitindo RQS e CQS conforme as normas de projeto aplicáveis, e não é organismo certificador de pessoas.

Um organismo de certificação de pessoas, no sentido da ISO/IEC 17024, é acreditado especificamente para essa função, como o esquema português conduzido pela OCP/IEP, ou como o programa "Certified Welder" da AWS nos Estados Unidos.

Qualificar sob um código de construção (ASME IX, AWS D1.1, N-133) e certificar como organismo de terceira parte são atividades diferentes.

Quem certifica o quê no Brasil, e por que não existe um "órgão oficial único"

Uma confusão recorrente é achar que existe um único órgão brasileiro responsável por qualificar ou certificar soldadores, geralmente citando a Fundação Brasileira de Tecnologia da Soldagem (FBTS). Não existe esse órgão único, e a própria FBTS não certifica soldadores.

Conferido diretamente na página oficial da FBTS: a fundação certifica Inspetores de Soldagem Níveis 1 e 2, conforme a NBR 17024, com acreditação pela CGCRE do Inmetro. É outra categoria de profissional: o inspetor que audita a solda, diferente do soldador de bancada que a executa.

Um blog técnico do setor, identificado na tabela de origens interna, afirma de forma incorreta que "a ABNT NBR 14842 define os requisitos de qualificação de soldadores no Brasil". Essa norma rege a certificação do Inspetor de SoldagemProfissional qualificado, empregado pela executante dos serviços para exercer as atividades de controle de qualidade relativas à soldagem.; a qualificação de quem executa a solda segue a norma de projeto do contrato.

Cada organização qualifica seus próprios soldadores sob a norma de projeto aplicável ao contrato, seja ASME Seção IX, AWS D1.1 ou N-133, com o teste testemunhado conforme o sistema da qualidade daquele contrato.

A N-133 Rev. Q, cláusula 4.4.1.2, atribui a documentação ao Relatório de Registro de Soldagem (RRS)Documento emitido pelo executante do serviço onde são registrados os parâmetros empregados durante a soldagem da chapa de teste conforme... e ao RQS, sem citar exclusividade de um profissional específico como único signatário para toda e qualquer norma. Não existe, hoje, um órgão único que centralize essa função para todo o mercado brasileiro.

As faixas de qualificação: processo, espessura, diâmetro, posição, tudo com limite escrito

Qualificação de soldador é delimitada por variáveis essenciais, específicas de cada processo. O soldador só está qualificado dentro da faixa que o teste de fato cobriu.

Pelo ASME Seção IX, essas variáveis estão listadas no capítulo QW-350, detalhadas em tabela própria por processo. Para eletrodo revestidoMetal de adição composto por um núcleo metálico revestido com material que estabiliza o arco, protege a poça de fusão e pode adicionar... (SMAW), a Tabela QW-353 lista, entre outras: diâmetro do tubo, P-Number do metal de baseO metal ou liga metálica que está sendo soldado, brasado, cortado ou revestido., F-Number do metal de adiçãoO metal ou liga metálica a ser adicionado na fabricação de uma junta brasada, ou soldada., espessura do metal depositadoMetal de adição depositado durante a brasagem ou soldagem. e posição de soldagem.

Mudar qualquer variável além do limite estabelecido exige nova qualificação.

O tipo e o número de corpos de prova para o exame mecânico do soldador seguem a tabela QW-452, diferente da tabela QW-451 usada na qualificação de procedimento (EPS/RQPS).

O ensaio de tração qualifica o procedimento; a qualificação de desempenho do soldador usa outro conjunto de ensaios, ponto já registrado no artigo desta casa sobre ensaio de tração.

A norma completa da ISO 9606-1 não está no acervo desta casa. O que está é o Apêndice Não Mandatório L do próprio ASME Seção IX (2025), "Welders and Welding Operators Qualified Simultaneously to (EN) ISO 9606-1, ISO 14732, and Section IX", que trata da qualificação simultânea sob as duas lógicas.

Ele registra o achado mais útil ao comprador: com o mesmo corpo de prova, as faixas de qualificação aprovadas saem diferentes entre a ISO 9606-1/ISO 14732 e a Seção IX.

A API Spec 6D (2021/2025) aceita a ISO 9606-1 como alternativa ao ASME Seção IX para qualificar soldadores. Como a norma completa da ISO 9606-1 segue fora do acervo, nenhum número de cláusula dela entra citado neste artigo.

O mecanismo dela também é outro: a ISO trabalha com validade de certificado por período fixo e confirmação periódica, diferente do limite de inatividade de 6 meses tratado aqui. Essa diferença de mecanismo não foi conferida cláusula por cláusula, porque a norma não está no acervo desta casa.

O que a N-133 exige além da norma de projeto

Para contratos sob padrão Petrobras, a N-133 Rev. Q soma exigências e traz uma restrição relevante na hora de comparar orçamentos.

A cláusula 4.2.6 restringe algo que fornecedores usam para simplificar propostas: "os procedimentos pré-qualificados de soldagem previstos na AWS D1.1/D1.1M Capítulo 5 e os procedimentos padrão previstos no ASME BPVC - Section IX Artigo 5 não são aceitos pela PETROBRAS".

Para um cliente sob N-133, um procedimento "pré-qualificado" nos termos genéricos da AWS D1.1 ou ASME IX não substitui a qualificação própria exigida pela norma Petrobras.

Sobre o critério de aceitação, a cláusula 4.3.2 fixa que o limite de resistência à tração do metal depositado deve ser igual ou superior ao mínimo especificado para o metal de base na soldagem homogênea, e que, se a norma de projeto tiver requisito mais restritivo, prevalece esse requisito.

A N-133 não traz procedimento próprio de ensaio: remete às normas de projeto e ao contrato.

A pergunta difícil: quanto custa e quanto tempo leva

Nenhuma fonte brasileira levantada nesta pesquisa publica preço nem prazo de qualificação de soldador com origem confiável. Laboratórios e empresas de inspeção com página de "preço" mostram apenas formulário de orçamento.

As únicas faixas numéricas encontradas vêm de mercados fora do Brasil, sem aplicação direta ao contexto brasileiro.

O que se pode responder com honestidade, sem número: o custo e o prazo dependem da norma exigida pelo contrato, do número de processos e posições que o soldador precisa cobrir, e de quantos soldadores são testados no mesmo dia.

Por isso, definir a norma do contrato antes de pedir orçamento evita comparar propostas que não cobrem o mesmo escopo.

O que acontece se o soldador reprova

Reprovação custa tempo, mas não é definitiva. Pelo ASME Seção IX, cláusula QW-321.2, quando o corpo de prova reprova no ensaio mecânico, o reteste imediato exige dois corpos de prova consecutivos para cada posição em que o soldador reprovou, e ambos precisam passar.

A cláusula QW-322.3 trata de outro caso, a renovação de uma qualificação já expirada por inatividade: a renovação pode ser feita soldando um único corpo de prova, em qualquer posição, o que restabelece as qualificações anteriores do soldador para aquele processo.

Nenhuma fonte pesquisada respondeu com cláusula de norma se o corpo de prova reprovado por defeito de usinagem pode ser reaproveitado.

Uma fonte de mercado internacional sem cláusula de norma por trás trata do tema de forma prática: reteste exige o dobro de corpos de prova aprovados. É orientação de mercado, sem base normativa conferida para este ponto específico.

A analogia: o piloto, não a carteira de motorista

Uma carteira de motorista vale por um prazo fixo em anos, independente de o motorista dirigir todo dia ou nunca mais entrar num carro depois de tirá-la.

A habilitação de um piloto para operar um tipo de aeronave não funciona assim: ele perde essa habilitação se ficar tempo demais sem voar naquele tipo específico, não numa data fixa marcada desde o dia do exame.

A qualificação de soldador, pela ASME Seção IX e pela AWS D1.1, se parece muito mais com a segunda situação: uma habilitação que se mantém enquanto o soldador continua exercendo aquele processo, e que se perde por inatividade.

A pergunta que poucos compradores fazem, e o cenário que ela evita

Na prática de contratação, poucos compradores fazem a pergunta certa hoje: não "esse RQS está dentro da validade de 6 meses da emissão?", mas "esse soldador continua soldando esse processo com regularidade, e existe registro disso?". A segunda pergunta é a que a norma realmente cobra.

É a pergunta que evita o cenário mais caro: descobrir, numa auditoria ou depois de uma falha em campo, que o soldador que executou a solda não estava mais coberto pela qualificação que constava no papel.

Peça a qualificação com a continuidade documentada, não só com a data de emissão

Se a próxima contratação depende de saber se o RQS de um soldador ainda vale, peça o registro de continuidade documentado daquele processo, não só a data do teste. É a cláusula de continuidade que decide.

Agende a qualificação ou a auditoria de continuidade no Centro Técnico da InspeSolda e saia com o RQS e o registro de uso no mesmo pacote.

Perguntas frequentes

A qualificação do soldador vence numa data fixa?

Não. Pelo ASME Seção IX, cláusula QW-322.1, e pela AWS D1.1:2025, cláusula 6.2.3.1, a qualificação permanece válida enquanto o soldador não ficar mais de 6 meses sem usar aquele processo. Não há data de expiração fixada no dia do teste: há um limite de inatividade, que reinicia a cada solda de produção feita dentro do mesmo processo. A qualificação também pode cair antes disso se houver motivo específico para questionar a habilidade do soldador (QW-322.2).

Se o soldador troca de empresa, a qualificação dele continua valendo?

Sim, com uma condição. A cláusula QG-106(d) do ASME Seção IX manda que, quando o soldador muda de empregador entre organizações participantes, a nova organização verifique que a continuidade da qualificação foi mantida pelo empregador anterior desde a data da qualificação. A própria cláusula QW-322.1, que sustenta a regra dos 6 meses, remete a essa verificação (QG-106.2 e QG-106.3). Na prática, o RQS não perde validade automaticamente ao trocar de empresa, mas a nova organização precisa confirmar e documentar essa continuidade antes de aceitar o registro como válido; a norma não usa a expressão 'intransferibilidade jurídica', mas exige exatamente essa checagem.

Quem pode assinar o CQS/RQS de um soldador no Brasil?

Não existe um órgão único responsável por essa assinatura para todo o mercado brasileiro. Cada organização qualifica seus soldadores sob a norma de projeto aplicável ao contrato (ASME Seção IX, AWS D1.1 ou N-133), com o teste testemunhado conforme o sistema da qualidade daquele contrato. A N-133 Rev. Q, cláusula 4.4.1.2, atribui a documentação ao Relatório de Registro de Soldagem (RRS) e ao RQS, sem citar exclusividade de um profissional específico para toda e qualquer norma.

Um soldador certificado pela FBTS está qualificado para soldar?

Não. A FBTS certifica Inspetores de Soldagem Níveis 1 e 2, conforme a NBR 17024, com acreditação pela CGCRE do Inmetro. É outra categoria de profissional: o inspetor que audita a solda, diferente do soldador de bancada que a executa. Uma fonte técnica encontrada nesta pesquisa afirma de forma incorreta que a NBR 14842 define os requisitos de qualificação de soldador: essa norma rege a certificação do Inspetor de Soldagem, e a qualificação de quem executa a solda segue a norma de projeto do contrato.

Fazer um curso de solda já qualifica o soldador?

Não. Um certificado de curso é formação, e por si só não qualifica ninguém por nenhuma das normas citadas neste artigo. A qualificação nasce de um teste prático, com corpo de prova soldado, examinado e ensaiado conforme a norma de projeto do contrato, coerente com a definição do glossário próprio da casa (N-1438, verbete 3.109): é a habilidade demonstrada em teste que qualifica.

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